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O que UX tem a ver com…

O consumo nas sociedades em desenvolvimento como oportunidades de negócios.

Considerando que atualmente quase toda ação humana está relacionada a uma forma de consumo – mesmo as essenciais, tais como comer, beber, vestir, informar-se etc. –, poder-se-ia afirmar já neste parágrafo que mencionar consumo em sociedade – seja qual for – é em si um pleonasmo, dado que a atual existência social se ampara justamente no consumo, sendo, assim, notório dizer que as sociedades contemporâneas são intrinsecamente de consumo.

Daí que nas sociedades entendidas como em desenvolvimento – na secular perspectiva revolucionária-fabril – o âmago de consumo que lhe seria inerente ainda não se “multifacetou” tal como nas comunidades reconhecidas como já plenamente desenvolvidas – o neologismo entre aspas sugere que o consumo segue a seta da germinal produção massificada, passando pelo refinamento do processo de transporte, comércio e, naturalmente, aquisição do ofertado, fazendo surgir daí o personagem que nos é caro neste contexto, o consumidor tal como o conhecemos nos dias atuais – o mesmo que, ao se oferecer como mão de obra, engraxa as engrenagens desta estrutura produtiva.

Contudo, tanto a analogia quanto a metodologia fabril já não são suficientes – a primeira para esta redação, a segunda para dar conta do complexo circuito da gestão de produtos e experiência desse consumidor contemporâneo, assim como do marketing e da comunicação, então digital, que entraram em cena nessas últimas décadas nas sociedades ditas desenvolvidas, mas ainda timidamente naquelas em desenvolvimento.

Embora estejamos sob a égide da internacionalização dos mercados – chamada por alguns de globalização –, as coletividades se apercebem definidoras do que consomem, de modo que passam a questionar, essencialmente por meio de escalar Revolução Digital, a acessibilidade – financeira, inclusive –, usabilidade, benesses e, na ordem do dia, impactação ambiental, trazendo desespero para alguns fornecedores de produtos/serviços, assim como visibilidade para aqueles que veem neste cenário especial janela para oportunidades de inserção ou alavancagem sobre a concorrência.

Assim, a urgência em atuar em contextos sociais onde os padrões de consumo demandam inteligência para superar sejam as limitações financeiras, sejam as de recursos abrem – ou demandam – possibilidades para que os profissionais envolvidos passem a olhar com mais sensibilidade para além da esteira produtiva, enxergando, discutindo e contribuindo para a mudança de postura do consumidor, seja na proposição de modelos inovadores de negócios que gerarão os produtos e/ou serviços necessários àquela sociedade, seja na articulação dos atores para o próprio rearranjo das relações econômicas, sociais e – por que não? – políticas, a fim de que a incorporação dos valores sejam sustentáveis ao mesmo tempo que rentáveis.

Creio ingressar aí o protagonismo do estudo de UX – talvez razão pela qual seja tão divulgado nos dias atuais –, no sentido de que o cliente passe a experienciar para além do que adquiriu, tornando notório a este que aquele produto/serviço resulta de objetivos, metas e planos de ação empresariais bem traçados; de rigoroso monitoramento de desempenho; de uma comunicação tão assertiva quanto intimista ao mundo do consumidor; em que as ações de inovação e sustentabilidade na cadeia de valor pareçam simples o suficiente que lhe permitam entender o contexto da empresa que lhe forneceu aquilo que precisava.

Se o usuário parece ser a chave para melhorar a sociedade – especialmente a que ainda se desenvolve –, a história mostra que alterá-lo diretamente não trará resultados exitosos, mas sim aprimorar os âmbitos práticos, de valor e que lhe são significativos naquela experiência de consumo – ou como poetizou Alexander Den Heijer, para o desabrochar do botão, não se altera o próprio, mas o ambiente no qual a flor se revelará.

Luciano Vieira

Cofundador da Metodológica, responsável pela área de planejamento e controle. Leitor digital. Revisor em tempo integral e o cara da TI quando precisa. Leonino, e curte essas paradas. Um bibliotecário honoris causa.

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