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F#deu geral

Chega mais! Este post contém uma indicação de livro pra você!

Olá! Tudo bem?

Para começar 2020 com o pé direito, escolhemos para primeira leitura do ano um livro muito aguardado e de um autor que adoramos por aqui, o Mark Manson. Então, se você também quer tomar um tapa na cara, vem conferir.

Particularmente, tenho uma história inusitada com o Mark. Embora seja bibliotecária (o que naturalmente me faria conhecer mais um escritor do que uma publicitária e youtuber) eu já era fã da Fernanda Neute, sua esposa, quando o descobri. E, provavelmente, foi isso que me fez gostar dele logo de cara!

A @feneute tem um canal no Youtube chamado Fê-liz com a vida!, onde ela fala sobre autoconhecimento, estilo de vida, produtividade e afins de um jeito simples e leve, daqueles que dá vontade de assistir em looping e ficar melhor amiga dela. Daí, que em um vídeo de 2018, ela falou sobre os cinco livros que mudaram a sua vida e nessa lista estava A sutil arte de ligar o f#da-se (2017), primeiro livro do Mark Manson, vulgo seu marido.

Claro que comprei. Claro que virei fã dele também. Claro que ele tem o mesmo jeito fácil e despojado de falar e escrever que ela (adicionando alguns palavrões, é fato). Tenho a esperança de ter tempo de relê-lo e também fazer uma resenha para o MetodoBlog em breve… Oremos!

Bem, depois disso me liguei nas informações do Mark e quando descobri que ele estava escrevendo o seu segundo livro, fiquei esperando igual criança. Até que em maio de 2019 ocorreu o tão aguardado lançamento. Comprei e antes de começar a minha esperada leitura, fui atropelada por diversos acontecimentos, projetos e falta de replanejamento (veja o post onde falo sobre isso clicando aqui) e não o li.

Então, em janeiro deste ano, com a vida reestruturada e as energias recarregadas, lancei mão do livro e tive o prazer de perceber que não poderia ter sido em melhor momento (pessoal, social, político, universal etc.). Leia e me entenderá rsrs.


O livro

F#deu geral: um livro sobre esperança? (2019) publicado pela Editora Intrínseca, fala primordialmente sobre a autorrealização e porque devemos ter mais consciência sobre as nossas crenças antes de desistirmos de algo. Sabe aquela sensação de que o dinheiro e a tecnologia facilitaram a vida moderna, mas ao mesmo tempo estamos todos cada vez mais doentes da cabeça? Pois é, cada escolha implica em uma perda e devemos escolher a dor que queremos sentir.


Apesar de sempre ser classificado na categoria de autoajuda, o próprio autor já disse que não se pretende a resolver o problema de ninguém, utilizando a escrita apenas para apontar questões sociais e fazer com que as pessoas pensem mais a respeito de suas causas e consequências. O entendo como um livro bastante pragmático e que joga na cara o que nem sempre estamos dispostos a ouvir, complementando a narrativa de sua primeira obra e não a continuando, como muitos pensam.

O conteúdo está dividido conforme o sumário descrito a seguir, onde aproveito para destacar os principais trechos que acredito refletirem a vibe do livro:


Parte I: esperança
Capítulo 1: a verdade desconfortável

“Depois de voltaremos à questão original: o que está acontecendo no nosso mundo que faz a gente se sentir pior, apesar de tudo estar melhorando de maneira consistente.” (p. 18).

Capítulo 2: autocontrole é uma ilusão

“Nós nos agarramos à narrativa do autocontrole porque a crença de sermos capazes de controlar a nós mesmos por completo é uma grande fonte de esperança. Queremos acreditar que mudar quem somos é tão simples quanto saber o que mudar. Queremos acreditar que a capacidade de fazer algo é tão simples quanto tomar essa decisão, basta apenas ter força de vontade suficiente. Queremos acreditar que somos mestres de nosso próprio destino, capazes de fazer qualquer coisa que sonharmos.” (p. 39).

Capítulo 3: as leis emocionais de Newton

“Existem duas maneiras de se curar – ou seja, de substituir valores antigos e problemáticos por exemplos melhores e mais saudáveis. A primeira é reexaminar as experiências do passado e reescrever as narrativas em torno delas. Espera aí, será que ele me deu um soco porque eu sou uma pessoa péssima, ou porque ele é péssimo?” (p. 75).

Capítulo 4: como fazer todos os seus sonhos se tornarem realidade

“Religiões são lindas. Quando uma quantidade suficiente de pessoas com os mesmos valores está reunida, elas agem de forma que jamais agiriam se estivessem a sós. A esperança de cada uma é amplificada numa espécie de efeito de rede e a validação social de fazer parte de um grupo sequestra seus Cérebros Pensantes e deixa os Cérebros Sensíveis tomarem conta de tudo.” (p. 86).

Capítulo 5: ter esperança é foda

“Essa capacidade de ver o progresso em retrospecto, de ver crescimento, mudou a perspectiva das pessoas em relação ao futuro. Mudou a perspectiva das pessoas em relação a si mesmas. Para sempre.” (p. 125).

Parte II: fodeu geral
Capítulo 6: a fórmula da humanidade

“No mundo rico e desenvolvido, vivemos uma crise que não é de riquezas ou material, mas de caráter, virtude, meios e afins. A divisão política básica do século XXI já não é mais direita contra esquerda, mas de valores impulsivos infantis contra valores adolescentes/adultos prontos a concessões. O debate já não é comunismo contra capitalismo ou liberdade contra igualdade, mas maturidade contra imaturidade, meios contra fins.” (p. 165).

Capítulo 7: dor é a constante universal

“A busca pela felicidade é um valor tóxico que há muito define a nossa cultura. É autodestrutiva e enganosa. Viver bem não significa evitar o sofrimento; significa sofrer pelas razões certas. Porque, se vamos ser forçados a sofrer simplesmente por existir, é bom que a gente aprenda a sofrer bem.” (p. 179).

Capítulo 8: a economia dos sentimentos

“A liberdade em si exige desconforto. Exige insatisfação. Pois, quanto mais livre se torna uma sociedade, mais as pessoas são obrigadas a reconhecer opiniões, estilos de vida e ideias conflitantes com as suas, e abrir concessões. Quanto menor for nossa tolerância à dor, mais mergulharemos em falsas liberdades e menos condições teremos de defender as virtudes necessárias para que uma sociedade livre e democrática possa funcionar.” (p. 216).

Capítulo 9: a religião final

“Vamos orar para a IA em altares digitais. Vamos seguir suas regras arbitrárias e entrar em seus jogos, não por sermos forçados a isso, mas porque tudo será criado tão bem que vamos querer participar.” (p. 235).


Meu aprendizado

Definitivamente eu aprendi muito sobre tolerância lendo esse livro (assim como suas resenhas em sites e vídeos pela internet para escrever esse post). Algumas vezes me deparei com pessoas dizendo que não gostaram do conteúdo por achar o Mark agressivo e desrespeitoso com relação a alguns conceitos (provavelmente os ligados a religiosidade), mas não concordo.

Penso que utilizar-se de uma linguagem mais despojada e lançar mão de alguns palavrões e gírias fazem parte do estilo verbal do autor e que, não necessariamente, isso denota uma agressividade em sua escrita. Pelo contrário, o acho um lord (deve ser porque eu também falo palavrões, rs). E, no meu entendimento, isso mostra que a pessoa que o estava criticando não entendeu o recado sobre a manipulação de sentimentos a que estamos submetidos nas sociedades atuais.

Também aprendi mais sobre algo que tem me chamado muito a atenção ultimamente, que é o termo antifrágil. Como o livro questiona o fato de entendermos a esperança como algo bom e a colocar enquanto o grande problema da humanidade, algumas coisas acerca do tema foram citadas e aguçaram ainda mais a minha curiosidade. Lerei mais sobre o assunto (e tome mais uma resenha em breve!).

Mas rapidamente, trata-se de um conceito desenvolvido pelo matemático e escritor Nassim Nicholas Taleb (1960-) que prega que, ao contrário do que se diz frágil e deve-se ter um manuseio cuidadoso, antifrágil é a ideia de que quanto mais exploramos algo ou alguém melhor se torna a sua resiliência a intempéries externas. É o caos que nos prepara para o futuro (foda!).

E é assim que o autor nos introduz uma analogia da nossa mente como se ela fosse um ‘carro da consciência’, onde habitam dois cérebros: o Pensante e o Sensível. De cara, diríamos que é o cérebro pensante que rege as nossas vidas e, quando damos aquela derrapada na curva, é problema do nosso lado sensível. Mas pesquisadores da área psicológica descobriram que se trata do contrário, pois somos movidos pela emoção e é ela que nos impulsiona a tomarmos as nossas atitudes.

Bem, imagine então que a sua mente é um carro de palhaço desgovernado e a sua razão está no banco do carona tentando, incansavelmente, barganhar algo decente, ético e minimamente aceitável para você fazer da sua vida. É isso e o Mark o diz de maneira muito melhor. Vai lá ler e aprenda como bônus o que é a teoria do ponto azul!


Uma dica

Apesar de serem publicações distintas e, como dissemos, não se configurarem em uma continuação, lhe indico fortemente que leia também em algum momento A sutil arte de ligar o f#da-se: uma estratégia inusitada para uma vida melhor (2017). Ambos, são livros que trazem reflexões para melhorar a nossa qualidade de vida a partir da maneira como vemos as coisas.

São conteúdos que nos fazem questionar o modus operandi da sociedade em que vivemos e porque fazemos o que fazemos (spoiler da próxima resenha, rs). Acredito que a sacada aqui é o questionamento, é você ler algo desconfortável, tomar um tapa virtual na cara e lembrar daquilo quando acontecer novamente.

Essa pulguinha atrás da nossa orelha faz com que retomemos a consciência de coisas que fazemos de maneira automática a tanto tempo e que nem sequer nos damos conta de sua razão. Tais atos podem ser desnecessários ou desonestos, inclusive, como ocorre com atitudes racistas, machistas, homofóbicas, gordofóbicas e assim por diante. Uma hora a gente tem que se dar conta e transformarmos o nosso pensamento. Ah… E vai no canal da Fe Neute no Youtube e assiste esses dois fofos juntos, porque seria egoísmo meu guardar essa indicação mara só pra mim!

Ro Gravina

Cofundadora da Metodológica, responsável pela área de empreendedorismo e inovação. Leitora analógica. Organizada, mas nem tanto. Sagitariana, pra quem curte essas paradas. Uma bibliotecária fora da biblioteca.

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