020-Site.png

Fake news e desinformação

Nesta semana, trazemos um novo post do Tarsis, desta vez tratando do impacto das fake news em nosso dia a dia.

Fake news e desinformação são duas expressões que martelam o tempo todo a nossa vida virtual, estando sobretudo associadas aos sites de redes sociais.

Inventar notícias falsas ou criar meias-verdades com o intuito de prejudicar um grupo (ou alguém) não é novidade, nem começou na internet. De certo modo, essas ações criminosas são uma espécie de evolução Pokemón da mentira e da difamação no mundo analógico.

Em qualquer caso, assim como ocorria no passado, os resultados vão do desagradável ao gravíssimo. E neste último, trata-se literalmente de gente morrendo.

Some-se essa prática perniciosa ao ambiente digital, com a velocidade e a ampla capacidade de divulgação em nível global, e você terá tragédias reais.

Com muito atraso, alguns sites começaram, ainda que timidamente, a agirem contra grupos e pessoas que usam suas redes para propagar informações falsas aos usuários. Mais grave ainda é quando essas informações distorcidas são divulgadas pelos próprios governos, capazes de influenciar negativamente milhões de pessoas.


E por que nós, bibliotecárixs, estamos na linha de frente da luta contra as fake news? Melhor questionando, por que nós somos agentes confiáveis para oferecer informação de qualidade?

Bom, porque alguém precisa fazer o trabalho sujo, pesquisando e entregando informações corretas ok. Tô brincando, mas é quase isso!

Explico.

Faz parte dos “fazeres bibliotecários” ter responsabilidade sobre o desenvolvimento de coleções para uma instituição, empresa ou biblioteca etc. Na prática, isso exige dos bibliotecárixs competências para selecionar as fontes corretas de informação.

Desde a faculdade, um bibliotecário é ensinado sobre a obrigação de encontrar e avaliar de forma crítica o conteúdo procurado pelos usuários, entregando o melhor resultado dessa busca. Muito além de ser a pessoa responsável por catalogar e achar livros em bibliotecas (como as pessoas normalmente imaginam o seu trabalho), o rigoroso cuidado na escolha das fontes de informação, sua procura e sua validação é um trabalho que faz parte das práticas diárias desse profissional – inclusive (e principalmente) no uso da internet.

A internet é maravilhosa. Ela transforma a procura por informação em algo prático e simples. O problema é que, antes de entregar um resultado, o motor de busca da internet não pode adivinhar nossas dúvidas, nem desconsiderar as fake news ou entender o contexto da nossa necessidade. Ainda que pudesse, existe uma enxurrada de informação a ser selecionada ou descartada, além do uso correto das palavras-chave etc.

Se você procurar por… sei lá… “boia salva-vidas”, você terá – em 42 segundos – 936,000 resultados. Contudo, entre todos eles, qual é a informação que você precisa?


Entendeu onde entram os bibliotecários?

Uma vez que as necessidades comerciais, a participação social e o exercício da cidadania estão vinculados às informações de qualquer espécie, temos, na figura do bibliotecário, o profissional responsável por separar o joio do trigo.

Uma última questão é: quem define o que é certo ou errado em termos de informação?

Depende da necessidade e da área do saber. Contudo, na maior parte dos casos quem define é a Ciência, os especialistas, os profissionais graduados e demais pessoas que dedicaram a vida ou a carreira para reconhecer e entender os fenômenos do mundo.

Fake news são desmascaradas quanto à sua falsidade, ou seja, são passíveis de verificação e comparação com o que acontece no mundo real. Por sua vez, a desinformação é um modo de usar uma informação fora de contexto para embalar uma ideia falsa. São comparações descabidas, as quais os bibliotecários percebem por meio de análise dos dados.

Por exemplo: justificar uma Lei comparando a população carcerária do Brasil com a população carcerária de Luxemburgo, sendo que são contextos totalmente descabidos. Uma dica valiosa: assuntos complexos, difíceis de resolver, nunca terão uma solução simples, nem serão bem esclarecidos através de uma frase de efeito.

Ao bibliotecário cabe a obrigação de ser uma “boia salva-vida” no meio de tanta opção informacional. O que você procura? O que você precisa? Essa informação é verdadeira?

Nem tudo o que lemos nos agrada, nem tudo o que queremos e concordamos é uma verdade, mas toda informação é passível de checagem e análise. O objetivo da informação é gerar conhecimento e assim entreter, ensinar, ajudar a vivermos melhor.

Por isso, é importante escolher sempre com muito cuidado as fontes de informação e, se estiver em dúvida, procure sua boia salva-vidas, ou seja, converse com um bibliotecário.

Esta foi uma postagem de convidado. Tarsis Salvatore é consultor na área de informação com experiência em Comunicação e Marketing e atualmente trabalha com organização de arquivos, documentos, certificados, livros, aulas e quadrinhos (tanto em formato físico quanto digital), além de apresentações profissionais e trabalhos com Visualização de Dados (Data Visualization).

Tarsis Salvatore

Criador do projeto da Gibiteca da Biblioteca de São Paulo (BSP), rato de bibliotecas e hard user de informática (com ênfase em Linked Open Data)

2 comments

porno child - 23 novembro 2020

Hello! I could have sworn I’ve been to this blog before but after browsing through some of the post I realized it’s new to me. Anyways, I’m definitely happy I found it and I’ll be book-marking and checking back frequently!

film - 24 novembro 2020

I was looking through some of your blog posts on this site and I conceive this web site is very informative! Keep on posting. Candis Salvidor Lawlor

Adicione o seu comentário