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Empreendedorismo para subversivos

Chega mais! Este post contém uma indicação de livro pra você!

Olá! Tudo bem?

A resenha da vez é do livro Empreendedorismo para subversivos: um guia para abrir seu negócio no pós-capitalismo (2017), do argentino radicado no Brasil Facundo Guerra. O autor, que iniciou a sua carreira como engenheiro de alimentos, se enveredou academicamente para o jornalismo internacional cursando mestrado e doutorado em Ciência Política, antes de se tornar um empreendedor.

Guerra aprendeu na prática a diferença entre ser empresário e empreender e utiliza as suas inúmeras investidas no ramo dos negócios para explicar de maneira extremamente didática (além de ora trágica e ora cômica), do que um aspirante a empreendedor precisa para prosperar no mundo atual.


O livro apresenta uma introdução bem detalhada de sua trajetória, o que é importante já que ele narra a sua experiência na base do acerto e erro, e somente depois traz o guia mencionado na capa, distribuído por tópicos contendo temas dos mais variados e autoexplicativos como: política e consumo; propósito; diminua seus riscos; sobre não usar a falta de dinheiro como desculpa para não colocar uma ideia em pé; organograma; preço versus valor; desperdício; qual o seu negócio?; concorrência; promoção; ponto; storytelling ou narrativas; sócios; as pessoas que trabalharão ao seu lado; intraempreendedores, ou como empreender de dentro de uma corporação; comunicação; saiba aonde quer chegar; meritocracia; o plano B; tudo tem uma história; e medite.


Você pode ler tudo ou, como por indicação do próprio autor, ir direto a um assunto que lhe interesse. A seguir, transcrevo algumas passagens que acredito refletirem um resumo do que esperar desta leitura.


O livro

1 Fundamentos, ou com quantos ossos se faz um empreendedor

“Você resolveu transformar o seu imenso mundo interior, na esperança de que um dia transformará o mundo de outras pessoas. Nesse momento, assim como todos os humanos um dia foram apenas um brilho no olhar de seus pais, essa ideia tomará conta de você. Mais que isso: te possuirá. (…).” (p. 9)

2 Quer empreender? Pense muito a respeito

“Se você quer empreender, me perdoe pelas más notícias: seu negócio tem enormes chances de falhar. Todo ano, incontáveis empreendimentos recém-abertos fecham as portas, sejam aqueles que pertencem à ordem das irrefreáveis ondas novidadeiras e que, naquele momento, parecem uma grande oportunidade – paletas mexicanas, cupcakes, lamens, temakis, brigadeiros etc. –, sejam os que foram sonhados e planejados por uma vida inteira, até desembocarem em algo realmente novo (o que acontece muito raramente), mas que falham porque foram produtos incríveis criados cedo demais, à frente do seu tempo (…).” (p. 11)

2.1 Empreendedor ou empresário?

“Esta talvez seja a diferença entre um empreendedor e um empresário: o empreendedor sabe que existem outras grandezas além do dinheiro. (…).” (p. 26)

3. O meu rolê

“(…) Na austeridade com que cresci, arriscar era impensável. E, como não existe empreendimento sem uma belíssima dose de risco, ter meu próprio negócio nem sequer passava pela minha cabeça.” (p. 35)

3.1 A péssima experiência como executivo

“Sonhava em ser um executivo de carreira. Eu me lembro de algumas raras vezes encontrar com o CEO de passagem pelo corredor rumo a alguma baboseira do tipo ‘café da manhã com o presidente’ e não olhá-lo com olhos bovinos de obediência e deferência, como os demais. (…) Mas a carreira corporativa exigiria de mim dois atributos que nunca tive e que, no final das contas, contribuíram para que fosse alijado dela: obediência cega à autoridade e respeito pela hierarquia. (…).” (p. 38)

3.2 Uma gata chamada Theodora

“Para me tirar do buraco em que me encontrava, Thais me convidou para ver os desfiles da Casa de Criadores, um evento de moda que se dedica a dar espaço a novos estilistas em São Paulo. Ali acabei por reencontrar Rita Wainer, amiga de infância, que tinha uma marca, a Theodora, seu alter ego e nome de sua gata. (…) Não importava, sentia nas entranhas que aquela era minha chance e peguei o touro pelos chifres: ali mesmo me comprometi a investir na Theodora em troca de uma parte da sociedade. Acabei trabalhando com ela por dois anos.” (p. 57, 60)

3.3 Vegas, o último dos clubes de uma era romântica

“Enfim, o Vegas. Escrevo estas linhas exatamente doze anos e zero dia após sua noite de inauguração. Nem em minhas alucinações mais despudoradas eu poderia prever o que aconteceria comigo depois daquela fatídica noite, e custo a acreditar até hoje, porque passei exatamente doze anos como burocrata. Do alto destas linhas vejo minha vida cindida pela metade: a primeira encarnação como um burocrata corporativo, a segunda, a mais doce e aquela que me fará bater as botas com orgulho do meu rolê, como empreendedor.” (p. 73)

4 Propósito, política, problema e assuntos correlatos

“No decorrer dos meus anos como empreendedor me dei conta de que mais importante do que o preço, o ponto de venda, o produto ou a promoção do mesmo é a existência de algo que fundamente a criação. Então, cometerei o sacrilégio de criar meus 3 Ps antes dos 4 Ps, e, depois de meus 3 Ps explanados, ainda comentarei os 4 Ps do Kotler sob a perspectiva do novo empreendedorismo. (…).” (p. 91-2)

4.1 Propósito

“Criar um propósito não significa construir um a posteriori: o propósito tem de estar na razão da construção do empreendimento, (…).” (p. 94)

4.1.2 São Paulo

“Não me identifiquei com o Brasil, mas com São Paulo, especificamente a São Paulo do Centro. Porque São Paulo não é uma cidade, mas uma abstração: somos múltiplas cidades, colapsadas em uma, porém com uma identidade de bairro muito mais forte do que de cidade. (…).” (p. 101)

4.2 Política

“Política não é mais uma força descendente, de governantes para governados, mas uma força relacional mais miúda, granular, micro, nano, no plano da ética e da relação um a um, ponto a ponto. (…) Logo, se sua criação não tiver política em seu núcleo, ela falhará ao não se ligar com as novas formas de consumo que estão se desenhando no horizonte. (…).” (p. 111)

4.3 Problema

“Sem um problema rigorosamente definido, organizações perdem chances, desperdiçam energia e acabam buscando iniciativas de inovação que não estão alinhadas com suas estratégias e propósitos, fazendo com que as soluções criadas entrem por veredas completamente equivocadas. Você, como empreendedor, precisa refinar o processo de fazer a pergunta certa – a solução sairá naturalmente dela. Preocupe-se sempre com a sua hipótese, não com a tese.” (p. 130)

5 Finalmente o guia

“A partir daqui irei direto ao ponto: pequenas lições em forma de aforismos sobre a ciência inexata de empreender. Se você está com um problema específico e sem tempo para ler, certifique-se de ler apenas o que aprendi sobre cada ponto que deve ser questionado antes de montar um produto ou serviço. (…).” (p. 162)

6 Lições de meus fracassos, ou aprenda com meus erros, cacete!

Você falhará. Muitas vezes. Se for bem-sucedido, terá sido à custa de sangue, suor, lágrimas e inúmeras falhas. O fracasso é parte inerente da vida, especialmente para empreendedores. (…) Muitas vezes as falhas criam um terreno fértil para que a partir delas surjam novas narrativas. Você nunca saberá se é um erro ou uma oportunidade: precisará de tempo para entender o impacto daquele acontecimento em sua existência. (…).” (p. 207)

7 Palavras finais: ser empreendedor é um diagnóstico

“Você está prestes a entrar em um labirinto. Alguns conselhos só te farão perder tempo e seguir o caminho que dará em uma parede, ou em um espelho, e outros darão em novos caminhos e bifurcações. Não ouça conselhos, mas não ponderar e não refletir sobre eles é arriscado e pode significar perder uma lição importante já aprendida por alguém. (…).” (p. 238)


Meu aprendizado

O fracasso não é totalmente ruim, mas isso não significa que ele deva ser comemorado. Faça, erre, aprenda e siga! Direcione o seu olhar para analisar constantemente os prós e contras de suas ações profissionais, melhorando o que for necessário e deixando para trás o que não está fazendo sentido em um processo contínuo e ininterrupto.

Enquanto lia esse livro fiz um curso online de criatividade, do Murilo Gun, e cruzei muita informação desses dois universos. O Murilo diz para errarmos rápido que assim estaremos errando certo. Ou seja, perceba o seu erro, aprenda com ele e conserte o que for preciso sem sofrer demais pelo leite derramado.

Facundo Guerra me parece compartilhar dessa visão e não ter um jeito mais simples e prático de dizer o que é a essência da atitude empreendedora, que visa sempre um objetivo através da realização de ações no momento presente.


Uma dica

Este livro não é um guia administrativo, daqueles que trazem uma receita de bolo do que você deve fazer para finalmente se tornar um empreendedor. Ele está mais para um holofote que imprime clareza a um assunto tão em voga e tão adverso atualmente.

Ser empreendedor é agir, mas não agir no desespero. Tem que estudar, ter preparo, ter caixa e não vender o almoço para comprar a janta. Ao expor todos os seus fracassos de maneira lúcida e sem firulas, Facundo Guerra nos mostra a importância de ter atitude e ao mesmo tempo responsabilidade, sabendo lidar com os seus erros e sobretudo aprender com eles.

A minha dica é ler com olhos descompromissados e deixar o guia ‘descansar’ por um tempo para reler a parte temática do final novamente, conforme precisar. Me dei um tempo para digerir e traçar equivalências de algumas situações por ele vividas à minha realidade e já posso dizer que aprendi muito.

Ro Gravina

Cofundadora da Metodológica, responsável pela área de empreendedorismo e inovação. Leitora analógica. Organizada, mas nem tanto. Sagitariana, pra quem curte essas paradas. Uma bibliotecária fora da biblioteca.

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