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Empreendedorismo na Biblioteconomia

Chega mais! Este post contém uma indicação de livro pra você!

Olá! Tudo bem?

A resenha da vez aqui no MetodoBlog é sobre o livro Empreendedorismo na Biblioteconomia (2016), organizado pela professora Daniela Spudeit. Estou nesta vibe do empreendedorismo por conta de minha pesquisa de Pós-Graduação e tenho encontrado muita coisa legal de compartilhar por aqui.

Então, se você é bibliotecárix ou trabalha com áreas afins à Biblioteconomia, confere este post que ele pode te ajudar! 😉


O livro

A organizadora conta que a ideia do livro surgiu pelo fato de terem poucas publicações do tema voltadas especificamente para a Ciência da Informação e, como profissionais liberais, os bibliotecários podem e devem empreender mais no exercício de sua função.

Com essa premissa, a obra apresenta uma coletânea de artigos divididos em duas partes: 1 Aspectos teóricos; e 2 Exemplos práticos de modelos de negócios.

A seguir, trago os temas dos capítulos e aquele trecho costumeiro para você visualizar melhor do que se trata.


1 Empreendedorismo na Biblioteconomia

“O atual mercado de trabalho, assim como a sociedade em geral, tem a informação como insumo para seu desenvolvimento. Esse fato exige que tenha profissionais aptos a lidar com a informação em seus diferentes suportes para variados usos enquanto estratégia competitiva para tomada de decisão e inovação.” (p. 15)

2 Empreendedorismo: conceitos, evolução histórica, tipologia e características

“[…] Empreender, é também, preocupar-se com o individual, no qual leva-se em consideração os sonhos e planos para a vida, carreira e satisfação pessoal, e também preocupar-se com a coletividade e desenvolvimento sustentável de uma comunidade. Estimular ações empreendedoras, de certa forma, é contribuir para a melhor interação do homem com o ambiente e a sociedade em que atua.” (p. 23)

3 Empreendedor: perfil, habilidades, comportamento ético e atitudes empreendedoras

“A primeira e principal atitude do empreendedor é reconhecer uma oportunidade e agarrá-la. É comum que as oportunidades passem por nós sem nos darmos conta. Desperdiçar chances de crescimento profissional e até mesmo pessoal é algo que ocorre espontaneamente e, quando percebemos, na maior parte das vezes, já é tarde demais […].” (p. 34)

4 Intraempreendedorismo no contexto das Unidades de Informação

“Intraempreendedores são profissionais com iniciativa, visionários, destemidos, determinados, criativos, ousados e capazes de mobilizar recursos e implementar novas ideias dentro da instituição.” (p. 43)

5 Abertura de uma empresa: aspectos legais e gerenciais

“O bibliotecário é definido por lei como um profissional liberal, podendo trabalhar por conta própria, sem vínculo empregatício, porém precisa conhecer o mercado, vislumbrar oportunidades, focar em um nicho de atuação, se especializar, formalizar sua empresa, buscar parcerias, fazer divulgação dos seus serviços, pois sua imagem ainda é muito presa a livros e bibliotecas, e o mais importante ser ousado e acreditar em seu potencial.” (p. 74)

6 Planejamento de um negócio

“O planejamento de uma empresa deve ser eficiente, pois funciona como uma espécie de guia para o empreendedor. Deve também ser eficaz à medida que os objetivos são atendidos. Diante disso, indica-se o plano de negócios como o método mais completo para apresentar e organizar o negócio.” (p. 79)

7 A formação do bibliotecário empreendedor com foco na gestão de serviços de informação

“Para o bibliotecário empreendedor que pretende explorar a área de gestão de serviços de informação, as tendências para a atuação são: Analista de Inteligência Competitiva (atendendo o e-commerce, por exemplo), Consultor de Informação (para serviços especializados), Analista de Buscas (em portais de informação, plataformas de inteligência, ou plataformas de informação integrada), Arquitetos de Informações, Gestor de Conteúdo da Web, entre outros […].” (p. 103)

8 Oportunidades de negócios e novos cenários para o mercado na área de informação

“A Lei nº 9.674/1998, em seu artigo 1º ressalta que a designação ‘Bibliotecário’ é incluída no quadro das profissões liberais, grupo 19, da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Ou seja, a atuação desse profissional não deve se limitar às bibliotecas, salas de leitura e centros de informação.” (p. 117)

9 Serviço de informação em memória: um modelo de negócio

“Entendendo a memória como um campo em que se podem oferecer serviços informacionais, surgem então novas possibilidades de atuação no mercado de trabalho para os bibliotecários, que têm competências para prestar serviços de consultoria voltados para a questão da memória coletiva.” (p. 132)

10 Modelo de negócio para criação de uma empresa na área de gestão de documentos

“Todo o negócio ou serviço nasce de uma necessidade das empresas em ampliar seus serviços para além de suas estruturas físicas. No modelo de negócio aqui proposto, as empresas públicas e privadas com massas documentais guardadas de forma inadequada, comprometendo a integridade dos materiais, são os clientes potenciais do empreendimento.” (p. 151)

11 Modelo de negócio na área de gestão da informação

“Por ser uma área muito ampla, a Biblioteconomia permite ao profissional atuar em uma vasta seleção de áreas relacionadas à informação nos diferentes suportes e contextos, que envolvam desde documentação, comunicação, cultura, lazer, educação, pesquisa, tecnologia da informação, planejamento e política.” (p. 164)

12 Cooperativismo: uma estratégia para bibliotecários empreendedores

“[…] É um conjunto de ações empreendedoras que envolvem a expertise de vários profissionais, os quais estejam dispostos a investir no modelo de negócio, para que tenha em comum o empreendimento desejado. Este tipo de empreendedorismo também é chamado de empreendimento colaborativo ou de círculo colaborativo.” (p. 179)

13 Empresa de captação de recursos para projetos culturais

“É importante esse tipo de prestação de serviços, pois os editais para captação de recursos possuem um grau de dificuldade e complexidade de informações que fazem com que muitas vezes as instituições, por carecerem de pessoas qualificadas e habilitadas para elaborarem tais projetos, deixem alguns pontos em aberto e com isso, perdem a oportunidade de conquistar recursos que seriam utilizados em eventos de fomento à cultura importantes para as comunidades nas quais essas instituições estão inseridas.” (p. 200)


Meu aprendizado

Como este é o tema de pesquisa de meu Mestrado, já tenho lido outras referências mais aprofundadas sobre o assunto e, por esta razão, achei o conteúdo superficial na Parte 1. O que não aconteceu na Parte 2 com os modelos de negócios, nem teria acontecido com o livro todo se eu o tivesse conhecido no início de minhas buscas por referencial teórico.

Os capítulos trazem citações-chave de grandes autores da área, além de uma rica bibliografia para quem se interessar por empreendedorismo e desejar saber mais sobre como aplicá-lo ao mundo biblioteconômico. Já os cases são um caso à parte, pois, apesar de não serem extensos, mostram a base que um profissional da área deve pensar para começar o seu planejamento de carreira.

Um tema que me chamou a atenção (e que me deu várias ideias que gostaria de desenvolver no futuro, rs) foi o de cooperativismo. É algo que ainda se fala muito pouco na Biblioteconomia, mas que beneficiaria muitos profissionais se fosse melhor desenvolvido e mais difundido em nosso meio profissional.

No Capítulo 12, as autoras Alessa Fabíola dos Santos e Noeli Viapiana falam sobre as estratégias que os bibliotecários podem realizar para empreender, citando como premissa a colaboratividade (que inclusive está em alta) e dando até um exemplo de “bibliocooperativa” como modelo de desenvolvimento dessas características.


Uma dica

Leia o livro todo. Não pule os capítulos que abordam temas que aparentemente não lhe interessam, principalmente os da segunda parte. Foi assim que aprendi mais sobre assuntos que não dominava e descobri que tenho afinidade e até ideias para desenvolver projetos em outras áreas da Biblioteconomia a partir do empreendedorismo.

Consulte a bibliografia. Todos os capítulos trazem um ótimo referencial teórico, com indicações para nos aprofundarmos no tema e nos tornarmos mais conscientes das possibilidades de atuação no mercado de trabalho em Ciência da Informação.

Empreendedorismo é um pensamento (ou mindset, como está na moda dizer) e não se refere apenas a profissionais que desejam trabalhar de maneira autônoma e abrir as suas próprias empresas, ser seus próprios chefes e blá blá blá. Pense fora da caixa para ler este livro, assim como outros desta temática. Você aprenderá muito mais desta forma! 😉

E se quiser conversar sobre empreendedorismo, me manda um oi! Vou gostar de saber o que você acha!


Referência

SPUDEIT, Daniela (Org.). Empreendedorismo na Biblioteconomia. Rio de Janeiro: Agência Biblioo, 2016.

Ro Gravina

Cofundadora da Metodológica, responsável pela área de empreendedorismo e inovação. Leitora analógica. Organizada, mas nem tanto. Sagitariana, pra quem curte essas paradas. Uma bibliotecária fora da biblioteca.

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