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Comunicação não-violenta

Chega mais! Este post contém uma indicação de livro pra você!

Olá! Tudo bem?

No mês de março o livro escolhido (mais uma vez) não poderia ter vindo em melhor hora. Parece que eles têm vida própria e nos escolhem quando sabem que precisamos desse tipo de aprendizado! :0


Em Comunicação não-violenta: técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais (2006), o autor e psicólogo estadunidense Marshall B. Rosenberg nos ensina a entendermos o que sentimos e a melhor forma de nos expressarmos através do conceito de Comunicação Não-Violenta (CNV).


À primeira vista, pode parecer que comunicar-se sem violência se trata apenas de não ofender e xingar aos outros. Mas, Rosenberg expõe muito bem que a forma como lidamos com as pessoas em nossas relações vai muito além do que apenas expressar um pensamento.

Conceitualmente, a CNV possui quatro componentes básicos: (1) observação, (2) sentimento, (3) necessidades e (4) pedido; que se manifestam de duas formas: (1) ao expressar-se honestamente por meio dos quatro componentes e (2) ao receber com empatia por meio dos quatro componentes. Ou seja, tem a haver com a maneira como expressamos e recebemos as informações em nossas relações interpessoais ou conosco mesmo.

A seguir, selecionei alguns trechos que considero uma boa síntese da obra nas próprias palavras do autor para você entender onde ele quer chegar com a CNV.


O livro

1. Do fundo do coração – o cerne da comunicação não-violenta

“A CNV nos ajuda a nos ligarmos uns aos outros e a nós mesmos, possibilitando que nossa compaixão natural floresça. Ela nos guia no processo de reformular a maneira pela qual nos expressamos e escutamos os outros, mediante a concentração em quatro áreas: o que observamos, o que sentimos, do que necessitamos, e o que pedimos para enriquecer nossa vida. (…).” (p. 32).

2. A comunicação que bloqueia a compaixão

“É de nossa natureza gostarmos de dar e receber com compaixão. Entretanto, aprendemos muitas formas de ‘comunicação alienante da vida’ que nos levam a falar e a nos comportar de maneiras que ferem aos outros e a nós mesmos. (…).” (p. 48).

3. Observar sem avaliar

“(…) Quando combinamos observações com avaliações, os outros tendem a receber isso como crítica e resistir ao que dizemos. (…).” (p. 57).

4. Identificando e expressando sentimentos

“(…) Desenvolver um vocabulário de sentimentos que nos permita nomear ou identificar de forma clara e específica nossas emoções nos conecta mais facilmente uns com os outros. Ao nos permitirmos ser vulneráveis por expressarmos nossos sentimentos, ajudamos a resolver conflitos. (…).” (p. 76).

5. Assumindo a responsabilidade por nossos sentimentos

“(…) O que os outros dizem e fazem pode ser o estímulo, mas nunca a causa de nossos sentimentos. Quando alguém se comunica de forma negativa, temos quatro opções de como receber essa mensagem: 1. culpar a nós mesmos; 2. culpar os outros; 3. perceber nossos próprios sentimentos e necessidades; 4. perceber os sentimentos e necessidades escondidos por trás da mensagem negativa da outra pessoa.” (p. 95).

6. Pedindo aquilo que enriquecerá nossa vida

“Pedidos são percebidos como exigências quando os ouvintes acreditam que serão culpados ou punidos se não os atenderem. Podemos ajudar os outros a confiar em que estamos fazendo um pedido, e não uma exigência, se indicarmos nosso desejo de que eles nos atendam somente se puderem fazê-lo de livre vontade. O objetivo da CNV não é mudar as pessoas e seu comportamento para conseguir o que queremos, mas, sim, estabelecer relacionamentos baseados em honestidade e empatia, que acabarão atendendo às necessidades de todos.” (p. 127).

7. Receber com empatia

“Precisamos sentir empatia para dar empatia. Quando percebemos que estamos sendo defensivos ou incapazes de oferecer empatia, precisamos (a) parar, respirar, sentir empatia por nós mesmos, ou (b) gritar de modo não-violento ou (c) dar-nos um tempo.” (p. 151).

8. O poder da empatia

“Nossa capacidade de oferecer empatia pode nos permitir continuar vulneráveis, desarmar situações de violência em potencial, ajudar a ouvir a palavra não sem toma-la como rejeição, reviver uma conversa sem vida e até a escutar os sentimentos e necessidades expressos através do silêncio. Repetidas vezes, as pessoas transcendem os efeitos paralisantes da dor psicológica, quando elas têm suficiente contato com alguém que as possa escutar com empatia.” (p. 177).

9. Conectando-nos compassivamente com nós mesmos

“(…) Ao avaliarmos nosso comportamento em termos de nossas próprias necessidades não-atendidas, o ímpeto pela mudança surge não da vergonha, culpa, raiva ou depressão, mas de nosso genuíno desejo de contribuir para o nosso bem-estar e o dos outros.” (p. 195).

10. Expressando a raiva plenamente

“(…) Se desejamos expressar plenamente nossa raiva, o primeiro passo é eximir a outra pessoa de qualquer responsabilidade por nossa raiva. Em vez disso, fazemos brilhar a luz da consciência sobre nossos próprios sentimentos e necessidades. (…).” (p. 215).

11. O uso da força para proteger

“Em situações em que não há uma oportunidade de comunicação, como naquelas em que há perigo iminente, podemos precisar recorrer à força como meio de proteção. A intenção por trás do uso protetor da força para proteção é evitar danos ou injustiças, e nunca punir ou fazer que as pessoas sofram, se arrependam ou mudem. (…).” (p. 234).

12. Libertando-nos e aconselhando os outros

“A CNV melhora a comunicação interior, ao nos ajudar a traduzir mensagens negativas em sentimentos e necessidades. Nossa capacidade de distinguir nossos próprios sentimentos e necessidade e de entrar em empatia com eles pode nos libertar da depressão. (…). Profissionais de aconselhamento e psicoterapia também podem utilizar a CNV para criar relacionamentos com os pacientes que sejam mútuos e autênticos.” (p. 246).

13. Expressando a apreciação na comunicação não-violenta

“Cumprimentos convencionais frequentemente tomam a forma de julgamentos, ainda que positivos, e às vezes são feitos com a intenção de manipular o comportamento dos outros. A CNV nos encoraja a expressar apreciação somente para celebrar. (…).” (p. 262).


Meu aprendizado

Particularmente, tenho muita dificuldade em entender e expressar os meus sentimentos sem realizar julgamentos, e um dos principais “mandamentos” da CNV é justamente não julgar. Para isso, precisei refletir sobre as minhas relações intrapessoais, interpessoais e sistêmicas e aqui vai um spoiler: é doloroso perceber o quanto nos equivocamos na maneira de nos expressarmos quando intencionamos algo, obtemos um resultado diferente e colocamos a culpa em tudo que nos cerca menos em nós mesmos.

Na verdade, não se trata exatamente de culpa, mas sim de responsabilidade. Entender que somos responsáveis pelos nossos atos e sentimentos é tão libertador quanto assustador, mesmo que pareça um tanto óbvio à primeira vista.

Exercitar a responsabilidade afetiva nos coloca em um caminho reto na direção da empatia, que é outro conceito extremamente importante na CNV. Sem ela, as coisas não fluem para fora nem para dentro e entramos em um looping egocêntrico de julgamentos e desinteresses.


Uma dica

Provavelmente, a coisa não vai fluir automaticamente. Apenas ler o livro, entender todos os exemplos citados e desejar a CNV para a sua vida, não mudará uma chavinha no seu cérebro tornando as suas atitudes e sentimentos diferentes do dia para a noite.

Por aqui tem funcionado o exercício em doses homeopáticas, para me acostumar com essa “nova” forma de relacionamento. O mais difícil é a conexão comigo mesma e determinar essa parte foi crucial para o sucesso das pílulas de empatia. Então, sugiro que defina primeiro a sua batalha mais importante e trace uma estratégia para superá-la com a CNV.

Você quer melhorar as suas relações familiares, quer ser mais sociável com vizinhos, controlar melhor suas reações no ambiente de trabalho, agir com assertividade em situações de estresse… Qual é o seu foco?

Depois, aplique os ensinamentos do livro, capítulo a capítulo as situações que você já tenha vivenciado com relação ao foco escolhido e exercite como deveria ter sido o diálogo a partir da CNV. E agora vem a pior parte: lembrar de tudo isso e manter a calma para colocar em prática o que aprendeu quando estiver diante de uma situação desafiadora. Porque elas virão! (rs) É difícil e penso que também um caminho eterno e incessante a ser seguido, pois sempre haverá uma situação que nos desafia a perder a paciência e estourar com o outro. Aguentar firme, criar empatia para si e se conectar com o outro são as melhores dicas que tenho seguido.

Ro Gravina

Cofundadora da Metodológica, responsável pela área de empreendedorismo e inovação. Leitora analógica. Organizada, mas nem tanto. Sagitariana, pra quem curte essas paradas. Uma bibliotecária fora da biblioteca.

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